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Cansaço de fim de ano ou anemia: você sabe como diferenciar?

Publicado em 21 de dezembro de 2021.

Com o fim de ano chegando, muitas pessoas se queixam do esgotamento físico e mental devido ao cansaço que foi se acumulando durante o ano que passou. Embora sentir-se assim nesta época do ano seja mais comum do que você imagina, quando o cansaço não tem um motivo claro, ele pode indicar algo que merece atenção e tratamento, tal como a famosa anemia.

Anemia

A anemia é uma condição clínica caracterizada pela redução do aporte de oxigênio para os órgãos e tecidos do organismo, que se manifesta em decorrência da redução do número de hemácias (também conhecidas como eritrócitos ou, popularmente, como as “células vermelhas” do sangue) e/ou pela deficiência de hemoglobina – proteína que está presente nas hemácias e é responsável por transportar o oxigênio para todos os órgãos e tecidos do organismo. 

Quando o aporte de oxigênio é insuficiente, os tecidos iniciam um processo chamado de hipóxia, que desencadeia mecanismos compensatórios. O principal destes mecanismos é o aumento do débito e frequência cardíaca, numa tentativa de compensar a redução de oxigênio com uma maior velocidade da circulação sanguínea. Desta forma, dentre as possíveis consequências de uma anemia não tratada destacam-se:

  • Comprometimento do sistema imunológico;

  • Deficiência de crescimento e do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças;

  • Redução de desempenho físico e mental em adultos;

  • Aumento do risco de morte em mães e neonatos.

Papel das hemácias e da hemoglobina nas trocas gasosas (hematose) que permitem o aporte adequado de oxigênio para as células, bem como a eliminação de dióxido de carbono do organismo. Adaptado de www.shutterstock.com, 2021.

 

A anemia por si só não é classificada como uma doença, mas sim como um sintoma ou manifestação de alterações na homeostase do organismo. É particularmente preocupante durante a infância, quando quase todos os tecidos do organismo estão em desenvolvimento e, por isso, precisam de um aporte constante de oxigênio e nutrientes. Contudo, adultos e idosos também precisam estar atentos ao desenvolvimento da anemia, visto que essa condição pode contribuir para a manifestação de diversas doenças. Atualmente, estima-se que a prevalência de anemia em brasileiros adultos e idosos seja de aproximadamente 9,9%, sendo mais comum em mulheres. 1

As mulheres em idade fértil devem ter uma atenção especial, pois devido ao período menstrual, têm uma maior predisposição a desenvolver anemias – o que pode reduzir seu desempenho físico e cognitivo, rendimento no trabalho, e até mesmo aumentar o risco de mortes por diversas causas. Nesta população, o risco de desenvolver anemia aumenta durante a gestação (quando há maior demanda de nutrientes e oxigênio para o organismo) e durante o aleitamento – períodos que exigem atenção redobrada, pois podem comprometer tanto a saúde da mãe como do bebê.  Além disso, o risco de desenvolver anemias aumenta após os 65 anos de idade, tanto em homens quanto em mulheres. 2

Independente do gênero ou da faixa etária, os sintomas mais comuns da anemia incluem cansaço, fraqueza muscular, falta de apetite, tonturas, palidez, falta de ar ou respiração encurtada, palpitação, taquicardia e falta de memória. Esses sintomas podem ser exacerbados durante a prática de atividade física. 

Principais sinais e sintomas das anemias. Adaptado de www.shutterstock.com, 2021.

 

Quais as causas mais comuns da anemia?

Na verdade, anemia é um termo que abrange diferentes transtornos que culminam no transporte deficiente de oxigênio para os tecidos. Assim, as causas podem variar de acordo com o tipo de anemia a que nos referimos, cujo diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e nos resultados de parâmetros laboratoriais analisados a partir de amostras de sangue desses indivíduos. Já o tratamento da anemia, por sua vez, também pode variar de acordo com a causa e o tipo de anemia.

Nesse contexto, a anemia aguda é aquela que se desenvolve rapidamente, geralmente como resultado de uma perda acentuada de sangue. Alguns motivos comuns que levam à perda de sangue são: período menstrual, parasitoses intestinais, procedimentos cirúrgicos e sangramentos gastrointestinais (muitas vezes silenciosos). Perdas de sangue mais importantes (como as hemorragias por traumas) também podem desencadear um quadro de anemia. Já as anemias crônicas, tem um desenvolvimento mais lento e exigem uma investigação mais minuciosa. Elas podem ser decorrentes de uma condição genética (como a anemia falciforme e as talassemias) ou de deficiências nutricionais por ingestão insuficiente ou má absorção de alguns nutrientes (como o ferro e a vitamina B12).

Tipos mais comuns de anemia

Anemia ferropriva

Também chamada de anemia ferropênica, esse é o tipo mais prevalente de anemia e, como o próprio nome sugere, é desencadeada pela deficiência de ferro. O ferro é um dos elementos que constitui a hemoglobina, sendo justamente o responsável pela interação do oxigênio com essa molécula.

Além de sangramentos crônicos e infecções, a anemia ferropriva pode estar associada à deficiência nutricional de ferro, tanto devido ao consumo insuficiente de fontes alimentares que contenham esse mineral ou por uma absorção prejudicada do mesmo. A absorção de ferro pode ser prejudicada por diversos fatores, tais como procedimentos cirúrgicos no sistema grastrointestinal (como a cirurgia bariática), doença celíaca ou o uso excessivo de fármacos inibidores da bomba de prótons, por exemplo o omeprazol.3

Dentre os alimentos ricos em ferro destacam-se as leguminosas e os vegetais de cor verde escuro, o feijão e as carnes.  Um ponto interessante de ser observado é que o ferro presente nos alimentos de origem animal está na forma de “heme” (ou íon ferroso Fe²⁺), sendo mais bem absorvido pelo organismo. Já as fontes vegetais, contém ferro não heme (ou íon férrico Fe³⁺), que tem uma absorção reduzida. Neste último caso, a ingestão concomitante de ácido ascórbico (vitamina C) pode melhorar a absorção do ferro, uma vez que reduz o íon férrico a íon ferroso (melhor absorvido).4

Além de ajustar a alimentação e ingerir uma maior quantidade de alimentos ricos em ferro, o tratamento deste tipo de anemia se faz por meio da suplementação deste mineral. Em uma revisão de estudos envolvendo 8.506 mulheres em idade reprodutiva, foi demonstrado que a suplementação diária de ferro reduziu a prevalência de anemia, além de melhorar o desempenho físico e reduzir os sintomas de fadiga. Vale ressaltar que a suplementação deve ser feita sob acompanhamento profissional, uma vez que o excesso de ferro também pode acarretar em prejuízos à saúde. 5

Anemia megaloblástica

Essa também é uma anemia comum em indivíduos que tem uma nutrição deficiente, manifestando-se em decorrência da redução dos níveis de vitamina B12 (ou cobalamina) ou de ácido fólico (também chamado de folato ou vitamina B9) no organismo. Esses dois nutrientes são muito importantes para a hematopoiese (processo de divisão, diferenciação e maturação celular das hemácias), e a sua deficiência leva à produção de células maiores do que o normal – daí o nome megaloblástica.

Como a vitamina B12 é encontrada em maior quantidade em alimentos de origem animal, suprir as necessidades endógenas desse nutriente costuma ser um desafio para quem opta por uma dieta vegana, exigindo uma suplementação reforçada. Além disso, algumas doenças podem prejudicar a absorção dessa vitamina. É o caso das doenças inflamatórias intestinais (como a doença de Crohn e doença celíaca), algumas infecções, disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal) e até mesmo em decorrência de cirurgias bariátricas.

Quanto à anemia megaloblástica causada por deficiência da B12, existe ainda um tipo particular que é chamado de anemia perniciosa, associada a alterações genéticas ou a reações autoimunes. Essa é desencadeada pela deficiência de uma proteína secretada no estômago e à qual a vitamina B12 se liga para ser absorvida – denominada de fator intrínseco. 

O ácido fólico é abundante em folhas verdes escuras, como espinafre e a couve.  Outras fontes alimentares são o feijão branco, aspargos, couve de bruxelas, soja e seus derivados, brócolis, melão, laranja, fígado, peixes, salsinha e beterraba crua. Mas além da alimentação deficitária, a anemia megaloblástica decorrente da deficiência de ácido fólico também pode ser provocada por doenças intestinais que alterem a absorção desse nutriente, assim como alcoolismo, uso de alguns medicamentos, entre outros fatores.

Adicionalmente, a demanda de ácido fólico aumenta durante a gestação, por isso é bastante comum a indicação de suplementação nessa fase – sobretudo durante os três primeiros meses, que representam um período crítico na formação e fechamento do tubo neural. A deficiência de folato neste período implica em um prejuízo no desenvolvimento fetal, podendo resultar tanto em defeitos na formação do tubo neural e das fendas orofaciais, quanto no desenvolvimento de outras doenças do neurodesenvolvimento. Assim, diversos estudos comprovam que a suplementação de ácido fólico nessa fase melhora não só a saúde da gestante como também é importante para um desenvolvimento saudável do feto. Além disso, estudos recentes relatam que a suplementação da forma ativada do ácido fólico (o 5-metil tetrahidrofolato) pode ser ainda mais vantajosa, principalmente nos casos em que há algum tipo de comprometimento do metabolismo hepático. 6,7,8,9

Anemia falciforme

Essa é uma anemia de causa genética, caracterizada pela alteração na conformação da molécula da hemoglobina e, como consequência, pela produção de hemácias em formato de foice (que justifica o termo falciforme). Essa alteração estrutural compromete a flexibilidade das hemácias, dificultando o acesso aos microvasos e levando ao encaminhamento precoce destas células para degradação. Essa condição genética é mais comum em populações de descendência africana, sendo uma das doenças hereditárias mais prevalentes no Brasil.

Talassemia

Esse é outro tipo de anemia crônica de origem genética. Ocorre quando o indivíduo tem cópias defeituosas do gene que codifica a cadeia α (alfa talassemia) ou β (beta talassemia) da hemoglobina. Dependendo da gravidade de apresentação clínica pode ser necessária uma rotina de transfusões sanguíneas para o manejo da talassemia.10

Anemia de doença crônica

Essa é uma anemia associada a doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, infecções, insuficiência renal crônica e carcinomas. Esse é o segundo tipo mais prevalente de anemia, atrás apenas da anemia ferropriva. Como a etiologia é bastante diversa (variando conforme a doença de base), seu manejo clínico também é bastante variável. 11

Anemia sideroblástica

Esse tipo de anemia abrange um grupo de disfunções na via das porfirinas. A porfirina participa da captação de ferro pelas células e estas disfunções levam ao acúmulo de ferro intracelular. As causas da anemia sideroblástica podem ser hereditárias (genéticas), ambientais (quando há exposição a metais pesados, como o chumbo), uso de medicamentos ou álcool ou, ainda, por uma síndrome mielodisplásica.

Classificação das anemias de acordo com suas causas e características. Adaptado de www.shutterstock.com, 2021.

Por fim, visto que os tipos mais comuns de anemias estão associados a deficiências de ferro, de vitamina B12 e/ou ácido fólico, a suplementação desses nutrientes - além da manutenção de uma alimentação balanceada e de um estilo de vida mais saudável - são grandes aliados na prevenção e no manejo da anemias.

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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