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Hipotireoidismo: o que fazer quando os sintomas persistem?

Publicado em 26 maio de 2025.

Cansaço, ganho de peso, constipação e dificuldade de concentração. Esses são alguns dos sinais e sintomas mais comuns no hipotireoidismo e, na maior parte dos casos, tendem a melhorar com o tratamento adequado. No entanto, alguns pacientes continuam a apresentá-los, mesmo após a normalização dos exames laboratoriais. Afinal, o que pode ser feito quando os sintomas do hipotireoidismo persistem apesar da reposição hormonal? No blog de hoje, vamos revisar os principais aspectos dessa condição e de seu tratamento, além de explorar estratégias que podem contribuir para melhora dos sintomas e da qualidade de vida.

 

Os hormônios tireoidianos – T3 e T4

Aproximadamente 80% dos hormônios metabolicamente ativos secretados pela tireoide correspondem à tiroxina (T4), e apenas cerca de 20% à triiodotironina (T3). Embora eles desempenhem funções semelhantes, há diferenças em termos de potência e duração de ação: a T3 é cerca de quatro vezes mais potente, porém menos abundante e com tempo de meia-vida mais curto. Contudo, a maior parte da T4 é convertida em T3 nos tecidos periféricos a partir de enzimas chamadas desiodinases. Por isso, apesar de suas diferenças, tanto a T3 quanto a T4 são consideradas funcionalmente importantes para regulação de processos fisiológicos.

Esses hormônios regulam funções essenciais do organismo, como o metabolismo, gasto energético, frequência cardíaca, função intestinal, tônus muscular, ciclos menstruais, humor e atividade cerebral. Dado o seu amplo espectro de ações, alterações na produção hormonal podem desencadear diversos sinais e sintomas, como observados nos casos de hiper ou Hipotireoidismo. 1,2

O hipotireoidismo é caracterizado por uma diminuição na taxa metabólica do organismo, que se manifesta a partir de sinais e sintomas como ganho de peso, fadiga, queda de cabelo, sensibilidade ao frio, desregulação do ciclo menstrual, pele seca, entre outros. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.

 

Fisiopatologia do hipotireoidismo

A produção de T3 e T4 é controlada pelo eixo hipotálamo-hipófise-tireoide (HHT). O hipotálamo secreta o hormônio liberador de tireotrofina (TRH), induzindo a liberação do hormônio estimulador da tireoide (TSH) pela hipófise. O TSH, por sua vez, age diretamente sobre a glândula tireoide, estimulando a síntese hormonal. Esse processo é regulado por feedback negativo: níveis altos de T3 e T4 inibem TRH e TSH, enquanto níveis baixos os estimulam, mantendo o equilíbrio hormonal e o metabolismo adequado. Esse controle fino garante a regulação adequada do metabolismo corporal e a resposta adaptativa a diferentes necessidades fisiológicas. 3

No hipotireoidismo o processo de síntese hormonal pode ser comprometido de diversas maneiras, sendo classificado de acordo com o local da disfunção no eixo HHT. O hipotireoidismo primário é o mais comum, e ocorre quando a tireoide falha em sintetizar quantidades adequadas de T3 e T4. Por outro lado, as formas secundária e terciária da doença, também conhecidas como hipotireoidismo central, ocorrem quando há disfunção hipofisária ou hipotalâmica, respectivamente. 4,5

 

Tratamentos

O tratamento do hipotireoidismo baseia-se na reposição dos hormônios tireoidianos. Atualmente, a monoterapia com a levotiroxina sintética é a principal abordagem para o tratamento do hipotireoidismo em adultos, e apresenta bons resultados na maioria dos casos. 6,7

 

Quando a reposição com T4 não é suficiente

Apesar do sucesso terapêutico alcançado com a levotiroxina sintética em grande parte dos casos, cerca de 10 a 15% dos pacientes continuam a apresentar sintomas residuais da doença mesmo com o tratamento adequado. A persistência desses sintomas parece estar relacionada a variações genéticas, como polimorfismos e mutações em genes que codificam proteínas transportadoras de ânions orgânicos (OAT) e enzimas desiodinases (DIO), responsáveis pela conversão do T4 em T3. Por exemplo, em indivíduos com níveis séricos reduzidos de T3, já foram identificadas mutações no gene SECISBP2, essencial para a síntese de proteínas que contêm selenocisteína, como as próprias desiodinases.  Nesse sentido, a reposição hormonal combinada com T3 e T4 tem demonstrado benefícios clínicos, contribuindo para a melhora dos sintomas persistentes. 8,9

Um estudo clínico prospectivo, duplo-cego, randomizado e cruzado, realizado com 75 indivíduos com hipotireoidismo, teve como objetivo comparar três abordagens terapêuticas: levotiroxina isolada, em combinação com T3 e extrato de tireoide dessecado (DTE). Os resultados mostraram que todas as formas de tratamento foram eficazes na manutenção dos níveis de TSH dentro da faixa de referência, indicando o efeito terapêutico das três estratégias. Contudo, observou-se que pacientes com sintomas persistentes durante o uso exclusivo de levotiroxina demonstraram preferência pelos tratamentos que incluíam T3 — ou seja, a combinação T4 + T3 ou o DTE. Esses pacientes relataram melhora em sintomas clínicos e cognitivos, conforme indicado pelos resultados dos questionários Thyroid Symptom Questionnaire (TSQ-36), Beck Depression Inventory (BDI), General Health Questionnaire (GHQ-12) e da Escala de Memória Wechsler (WMS-IV). 10

Corroborando esses achados, outro estudo clínico randomizado, duplo-cego e cruzado demonstrou resultados semelhantes, indicando que não ouve diferença entre o uso de levotiroxina ou DTE na manutenção dos níveis fisiologicamente adequados de TSH, T3 e T4. Todavia, novamente observou-se uma preferência significativa pelo DTE por 48,6% dos pacientes. Nesse subgrupo, foi relatada uma discreta perda de peso, além de melhora de parâmetros como concentração, memória, disposição física, sono, humor e tomada de decisões. 11

Esses dados reforçam a importância de uma abordagem individualizada no tratamento do hipotireoidismo, especialmente para pacientes que permanecem sintomáticos mesmo após a normalização dos exames laboratoriais com levotiroxina isolada. Assim, a personalização do tratamento com base nas necessidades e respostas individuais é um caminho para melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Pacientes com sintomas persistentes mesmo durante o tratamento com levotiroxina podem se beneficiar de terapias combinadas ou alternativas naturais como o DTE. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.

 

Thyroid Extrato: tradição e eficácia no manejo do hipotireoidismo

Thyroid Extrato é uma alternativa terapêutica no manejo do hipotireoidismo, especialmente em pacientes que continuam a apresentar sintomas residuais mesmo após a terapia convencional com levotiroxina.  Obtido de glândulas tireoidianas porcinas, e padronizado em T3 e T4, essa combinação equilibrada de hormônios tireoidianos oferece uma abordagem terapêutica eficaz para a reposição hormonal, promovendo a recuperação da taxa metabólica e a restauração da homeostase do organismo. 2

Thyroid Extrato é um composto hormonal e, por isso, deve ser utilizado exclusivamente sob orientação médica.

 

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