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Intolerâncias alimentares: entenda as principais causas, sintomas e tratamento

Publicado em 26 agosto de 2024.

Certamente você já sentiu algum desconforto gastrointestinal, como refluxo, dor abdominal ou sensação de inchaço após consumir certos alimentos, levando ao seguinte questionamento: “Será que esse desconforto pode estar associado a alguma intolerância alimentar?”

As intolerâncias ou sensibilidades alimentares são uma condição bastante comum, afetando cerca de 15 a 20% da população mundial. Entretanto, a variedade dos sintomas, pode dificultar o correto diagnóstico deste problema. Mas, afinal, o que caracteriza uma intolerância alimentar? Na publicação de hoje vamos entender as causas e os sintomas envolvidos, além das principais estratégias utilizadas para manter uma boa saúde digestiva e minimizar os sintomas associados a esta condição.1

O que são intolerâncias alimentares?

As intolerâncias alimentares estão associadas à dificuldade do organismo em digerir certos alimentos, resultando em sintomas gastrointestinais. Diferente das alergias alimentares, que envolvem uma resposta do sistema imunológico, as intolerâncias geralmente são causadas pela deficiência de enzimas necessárias para a digestão de determinados nutrientes.1-5

Os sintomas das intolerâncias alimentares são variáveis, costumam aparecer algumas horas após o consumo alimentar, podendo durar horas ou dias, além de serem dependentes da quantidade de alimento não tolerado ingerido. Os sintomas mais comuns incluem: inchaço abdominal, diarreia ou constipação, gases, flatulência, náusea e dor abdominal.1-5

 

Principais fontes de intolerâncias alimentares e sintomas relacionados. Adaptado de Adobestock.com, 2024.

 

Intolerância à lactose

A lactose – o principal carboidrato presente no leite e seus derivados – é um dissacarídeo composto por galactose e glicose, unidas por ligações β-glicosídicas. Sua digestão depende da lactase (ou beta galactosidade), uma enzima encontrada na superfície das microvilosidades dos enterócitos no intestino delgado. Essa enzima hidrolisa a lactose em glicose e galactose, que são rapidamente absorvidas pelos enterócitos e utilizadas como fonte de energia ou incorporadas em glicoproteínas e glicolipídios.3-6

Em indivíduos que possuem deficiência da enzima lactase, a digestão e absorção da lactose não ocorre de forma adequada. A lactose não digerida é então fermentada pela microbiota intestinal, resultando na síntese de subprodutos como hidrogênio, dióxido de carbono, sulfeto de hidrogênio, metano e ácidos graxos de cadeia curta, responsáveis pelos sintomas como inchaço, distensão abdominal, desconforto e cólicas. 3-6

A deficiência da enzima lactase é um processo fisiológico que acontece devido ao declínio gradual na atividade enzimática durante o envelhecimento dos indivíduos, sendo uma condição extremamente comum que afeta cerca de 65% da população mundial. O declínio começa durante a infância e os sintomas geralmente se manifestam na adolescência ou no início da idade adulta. Além disso, a deficiência de lactase também pode ocorrer de maneira secundária a danos ao epitélio intestinal, causado por condições como gastroenterite, uso de antibióticos e doenças inflamatórias intestinais.3-6

Intolerância ao glúten

O glúten é uma proteína encontrada em grãos de trigo, centeio e cevada, sendo composto por duas principais frações proteicas, a gliadina e a glutenina, que conferem elasticidade e estrutura a produtos como macarrão, bolos, massas e pães. A digestão do glúten ocorre no intestino delgado, onde as proteínas são quebradas por enzimas proteolíticas em peptídeos menores. Quando há alguma dificuldade associada a este processo pode haver o desenvolvimento de condições como a intolerância ao glúten (ou sensibilidade não celíaca ao glúten), doença celíaca ou alergia ao trigo. 3-5

Em indivíduos com intolerância ao glúten, o consumo de alimentos que contêm glúten leva a uma digestão ineficiente dessa proteína, resultando em sintomas desagradáveis, incluindo desconforto gastrointestinal, como inchaço, diarreia, constipação e dor abdominal. A intolerância ao glúten é diferente da doença celíaca e da alergia ao trigo, tendo em vista que na doença celíaca, a ingestão de glúten desencadeia uma resposta autoimune que danifica o revestimento do intestino delgado, enquanto na alergia ao trigo, o sistema imunológico reage às proteínas do trigo, causando sintomas alérgicos.3-5

Intolerância à frutose

A frutose é um monossacarídeo encontrado naturalmente em frutas, vegetais e mel, além de ser utilizada na produção de alimentos processados, como doces e refrigerantes. A digestão e absorção da frutose ocorrem no intestino delgado, onde transportadores específicos, como o GLUT5, facilitam a sua passagem através da parede intestinal para a corrente sanguínea.7,8

Em indivíduos com intolerância à frutose, também conhecida como má absorção de frutose, há uma deficiência ou ineficiência nesses transportadores, resultando em uma absorção incompleta da frutose. Como consequência, a frutose não absorvida passa para o intestino grosso, onde é fermentada pela microbiota intestinal. Os sintomas da intolerância à frutose incluem inchaço, gases, diarreia, constipação, dor abdominal e náusea sendo a intensidade desses sintomas variável, dependendo da quantidade de alimentos ricos em frutose ingerida ou do grau de sensibilidade de cada indivíduo. 7,8

Intolerância a FODMAPs

Os FODMAPS (sigla do inglês Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides, and Polyols) são um grupo de carboidratos de cadeia curta – incluindo oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis – encontrados naturalmente em muitos alimentos.  Esses nutrientes podem sofrer um processo rápido de fermentação pelas bactérias da microbiota do trato digestivo, levando liberação de gases e outras substâncias que podem afetar o funcionamento do intestino, podendo o desconforto decorrente dessa liberação variar de indivíduo para indivíduo. 3,5,7 

Além das intolerâncias alimentares mais comuns mencionadas, existem outros componentes presentes em alimentos e bebidas os quais as pessoas podem ser intolerantes, como por exemplo os sulfitos – conservantes utilizados em alimentos e bebidas, como vinho e frutos secos – e a histamina – uma amina presente em alimentos fermentados, como queijos, vinhos e embutidos, também podem desencadear sintomas de intolerância.3

Tratamento

Não existe um tratamento específico para as intolerâncias alimentares, sendo a principal recomendação a adequação da dieta, eliminando o consumo do alimento responsável por provocar a intolerância. Adicionalmente, a suplementação pode auxiliar na digestão dos alimentos e na diminuição dos sintomas e desconfortos associados às intolerâncias.1

A suplementação com enzimas digestivas é uma abordagem terapêutica que auxilia na recuperação da atividade enzimática endógena ausente ou insuficiente, melhorando a digestão, biodisponibilidade e absorção de nutrientes. Ainda, também pode auxiliar na redução de desconfortos gastrointestinais associados ao consumo de alguns alimentos específicos (tais como laticínios, trigo, legumes ou alimentos ricos em celulose), além de reduzir a severidade de intolerâncias e alergias alimentares.9

Para a intolerância à lactose, a suplementação pela via oral de lactase auxilia na digestão da lactose presente no leite e derivados e reduz os sintomas associados com a intolerância. Ainda, outra abordagem utilizada é a modulação do ambiente microbiano através do uso de probióticos – como Lactobacillus rhamnosusLactobacillus acidophilus, Bifidobacterium longum ou Bifidobacterium animalis – e prebióticos – como os galacto-oligossacarídeos (GOS) – que contribui no manejo dos sintomas.4,6,10

Por fim, é importante ressaltar que a eliminação de alimentos da dieta sem o correto diagnóstico e acompanhamento de profissional habilitado pode colocar a saúde em risco, podendo desencadear deficiências nutricionais e ingestão energética inadequada. No caso de suspeita de alguma intolerância alimentar, procure um profissional que possa auxiliar no ajuste da dieta e no gerenciamento dos sintomas.

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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