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Kefir, eixo intestino-cérebro e saúde mental: qual a relação?

Publicado em 28 abril de 2025.

“Todas as doenças começam no intestino”

Dizia Hipócrates, considerado o pai da medicina. Ainda que essa frase tenha sido dita há mais de dois mil anos, ela antecipa um conceito que hoje é respaldado pela ciência: a saúde gastrointestinal é fundamental e influencia diretamente todo o organismo — inclusive o cérebro. Com o avanço dos estudos sobre o eixo intestino-cérebro, é amplamente reconhecido que esses dois sistemas mantêm uma comunicação constante e bidirecional. Na prática, isso significa que emoções, cognição e até mesmo quadros de ansiedade podem ter origens (ou repercussões) no trato digestivo. É nesse cenário que probióticos – como os obtidos do kefir – ganham destaque, não apenas para o manejo da saúde intestinal, mas também como aliados da saúde mental e do bem-estar.

 

O eixo intestino-cérebro

O eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central (SNC) e o trato gastrointestinal (TGI). Essa rede de regulação complexa envolve a interação coordenada entre os sistemas nervoso, imunológico e endócrino, afetando diversas áreas, como o comportamento, a cognição, as emoções, o humor, entre outras.

Embora os aspectos desse eixo não sejam completamente delineados, há evidências consistentes que facilitam sua compreensão. Nesse sentido, sabe-se que o sistema nervoso autônomo (SNA) possui um papel central nessa comunicação, especialmente por meio do nervo vago e dos gânglios pré-vertebrais, que atuam como uma das principais vias de conexão entre o cérebro e o intestino, representando os sistemas parassimpático e simpático, respectivamente.

O nervo vago é responsável por transmitir sinais do TGI até o núcleo do trato solitário (NTS), região localizada no tronco cerebral, e que envia sinais à diversas áreas do cérebro envolvidas com emoções, comportamentos e processos cognitivos, como a amigdala, núcleo accumbens e hipotálamo. Esse nervo pode ser diretamente ativado por uma série de estímulos, incluindo o sistema nervoso entérico (SNE), células enteroendócrinas (CEE), microbiota intestinal, hormônios, citocinas e metabólitos.

Outro componente crucial para a comunicação intestino-cérebro é o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), uma via responsável por mediar a resposta adaptativa do organismo ao estresse. Esse eixo integra o sistema límbico — região cerebral predominantemente envolvida no processamento de memórias e respostas emocionais — e é responsável por estimular a liberação de cortisol pelas glândulas adrenais. O cortisol, além de ser liberado em resposta ao estresse, exerce influência direta sobre o sistema gastrointestinal, modificando a motilidade intestinal, a permeabilidade da mucosa e até mesmo a composição da microbiota.

Nesse contexto, a microbiota intestinal ganha destaque como um elemento-chave do eixo intestino-cérebro. Ela é capaz de modular diversos processos a partir da produção de metabólitos, neurotransmissores e moléculas sinalizadoras, como os padrões moleculares associados a microrganismos (MAMPs). Dessa forma, a microbiota está relacionada não somente à regulação de processos digestivos, mas também do humor, do comportamento, do funcionamento cognitivo, das respostas inflamatórias e do sistema imune. 1,2

O eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional e complexa que envolve diversos componentes que interagem entre si. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.

 

Microbiota e saúde mental

Como mencionado anteriormente, a microbiota intestinal exerce um impacto significativo sobre o eixo intestino-cérebro, interagindo não apenas localmente com as células entéricas e o SNE, mas também influenciando diretamente o SNC por meio de vias neuroendócrinas e metabólicas. Nesse contexto, a disbiose — ou seja, o desequilíbrio na composição da microbiota — tem sido associada a diversos transtornos mentais, como ansiedade, transtorno bipolar e depressão.

Reforçando essa associação, uma revisão sistemática envolvendo 69 estudos clínicos e mais de 2.800 indivíduos demonstrou diferenças significativas na composição da microbiota entre pessoas saudáveis e aquelas diagnosticadas com condições psiquiátricas, incluindo ansiedade, depressão, esquizofrenia e transtornos alimentares. Nesse sentido, a diminuição da abundância de espécies produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (ACGC) como butirato, propionato, acetato e lactato foi o principal achado em comum entre os estudos analisados. 3

Esses resultados são importantes, uma vez que os AGCC são um dos principais metabólitos produzidos pela microbiota, agindo como mediadores essenciais na comunicação entre intestino e cérebro, regulando a transferência de nutrientes e moléculas envolvidas na manutenção da integridade da BHE, e influenciando diretamente desde o desenvolvimento cerebral, até a homeostase do SNC.  Além disso, os AGCC interferem em diversos processos comportamentais e neurológicos por meio da modulação do sistema imunológico, do eixo HPA, do metabolismo do triptofano, e da síntese de neurotransmissores. 4

Nesse sentido, as diferenças na composição da microbiota entre indivíduos saudáveis e pacientes acometidos por doenças psiquiátricas indicam que o aumento de bactérias benéficas no microambiente intestinal tem o potencial de melhorar o humor e reduzir o estresse, a ansiedade e a depressão, abrindo portas para novas possibilidades de tratamentos adjuvantes para essas condições. 5

Corroborando essa hipótese, diversas revisões sistemáticas de ensaios clínicos demonstram a atividade de probióticos e simbióticos na redução de sintomas de ansiedade e depressão, enfatizando o papel essencial da microbiota no eixo intestino-cérebro. 6–8

 

O papel do kefir

O kefir é uma bebida probiótica produzida a partir da fermentação dos grãos de kefir em diferentes substratos, como leite de origem animal, leite de soja ou água com açúcar. É popularmente consumido em todo o mundo, e está associado a inúmeros benefícios para a saúde humana, incluindo o equilíbrio da microbiota intestinal, a melhora da imunidade, modulação de respostas inflamatórias, melhora das defesas antioxidantes, entre outros. Recentemente, alguns estudos têm indicado também que o kefir pode contribuir para a melhora da saúde mental por meio do reestabelecimento da microbiota, e da atuação desses microrganismos e seus metabólitos no eixo intestino-cérebro. 9,10

Nesse contexto, um estudo clínico randomizado, controlado por placebo, demonstrou que o consumo de kefir por um período de oito semanas foi eficaz na redução dos escores de depressão em idosos, quando comparado ao grupo placebo. Além disso, um estudo de casos clínicos com 38 participantes investigou o uso do kefir em associação ao tratamento com antidepressivos ao longo de 12 semanas, indicando que a bebida pode atuar como adjuvante no manejo da depressão em mulheres, reduzindo a severidade da doença segundo avaliações obtidas a partir da Escala de Depressão de Hamilton. Reforçando esses achados, outro estudo clínico randomizado e controlado por placebo, com 68 mulheres na pós-menopausa, mostrou que o consumo de kefir por 30 dias resultou em melhora da qualidade do sono e dos sintomas psicossociais relacionados à menopausa. 11–13

Contudo, considerando que o kefir se trata de um produto artesanal, cuja composição nutricional e microbiológica pode variar significativamente de acordo com diversos fatores – como o tipo de substrato utilizado, o conjunto de microrganismos presentes nos grãos, o tempo e a temperatura de fermentação, e condições de armazenagem – é importante lembrar que a qualidade da bebida é essencial para a obtenção de bons resultados. Portanto, um produto de baixa qualidade pode ter a sua eficácia prejudicada. 14

 

Active Kefir: os benefícios do kefir em qualquer hora e lugar

Active Kefir é um insumo obtido diretamente do kefir por meio de um processo de produção cuidadosamente controlado. Dessa forma, esse ativo é disponibilizado na forma de pó, e concentra 7 cepas probióticas, além de aminoácidos, vitaminas e polissacarídeos que também são derivados dessa fermentação natural.

Na prática, isso significa que Active Kefir oferece os benefícios do kefir tradicional, mas de forma muito mais prática, segura e padronizada. Diferentemente da versão artesanal, que pode ter variações na composição e até riscos de contaminação, esse ativo passa por um rigoroso controle microbiológico lote a lote, garantindo eficácia e estabilidade. Ainda, graças à tecnologia patenteada de revestimento SYNTEK™ MatriCoat, os microrganismos aderem melhor ao trato gastrointestinal, maximizando sua eficácia clínica.

Active Kefir está disponível para manipulação na forma de sachês ou cápsulas, facilitando a adesão aos tratamentos, além de permitir o ajuste de dose de forma simples e segura, se adequando às necessidades individuais de cada paciente. É a tradição do kefir com o rigor da ciência moderna, trazendo os benefícios dessa bebida milenar em qualquer hora e lugar. 14

Active Kefir traz a tradição do kefir com o rigor da ciência moderna, trazendo os benefícios dessa bebida milenar em qualquer hora e lugar. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.

 

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