O papel das terapias complementares no tratamento da endometriose
Publicado em 26 março de 2025.

Março é marcado pela campanha nacional de conscientização sobre a endometriose, uma condição que pode causar dores intensas e que afeta cerca de 7 milhões de mulheres apenas no Brasil. Para garantir a qualidade de vida das pacientes, a escolha do tratamento adequado é fundamental. Neste contexto, além das abordagens convencionais, as terapias complementares vêm ganhando espaço como aliadas no manejo dos sintomas. Mas qual é o papel dessas estratégias no tratamento da endometriose? E quais são seus reais benefícios? No blog de hoje, vamos explorar o que a ciência diz sobre essas alternativas. 1,2
O que é endometriose?
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento anormal do endométrio fora da cavidade uterina, podendo acometer os ovários, a superfície peritoneal, a bexiga e o intestino. Trata-se de uma condição heterogênea, que pode ser classificada em três subtipos principais de acordo com seu fenótipo: endometriose superficial – quando as lesões se restringem ao peritônio pélvico –, endometriose ovariana – quando há presença de cistos nos ovários – e endometriose infiltrativa profunda – a forma mais severa da doença, podendo afetar os ligamentos uterinos, a bexiga e o intestino.
A endometriose afeta entre 5 e 10% das mulheres em todo o mundo e pode ocasionar uma série de sinais e sintomas, como cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, infertilidade, fluxos menstruais intensos, sangramentos de escape, náuseas, inchaço, fadiga, dores durante ou após a relação sexual, além de alterações intestinais ou urinárias, especialmente durante o ciclo menstrual. 3,4

A endometriose pode ocasionar uma série de sinais e sintomas, como cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, infertilidade, fluxos menstruais intensos, sangramentos de escape, náuseas, inchaço, fadiga, dores durante ou após a relação sexual, além de alterações intestinais ou urinárias. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.
Fisiopatologia da endometriose
Embora a causa exata da endometriose ainda não tenha sido totalmente esclarecida, evidências sugerem que se trata de um processo multifatorial, envolvendo predisposição genética, disfunções imunológicas e alterações no tecido endometrial.
Entre as principais hipóteses para o surgimento da doença, destaca-se a teoria da implantação, proposta por John A. Sampson em 1927. Segundo essa hipótese, a endometriose se desenvolve devido à menstruação retrógrada, um processo em que o sangue menstrual, contendo células endometriais, retorna pelas trompas de falópio em direção à cavidade pélvica. Essas células, ao se depositarem em locais fora do útero, podem se implantar e proliferar, dando origem aos focos da doença. Contudo, estudos indicam que até 90% das mulheres em fase reprodutiva apresentam menstruação retrógrada, embora apenas uma pequena parte dessa população desenvolva a condição.
Ainda, evidências sugerem que a imunidade e a inflamação crônica desempenham um papel crucial na fisiopatologia da endometriose. Corroborando o papel do sistema imune e inflamatório, a análise do fluido peritoneal de pacientes com endometriose revelou níveis elevados de citocinas, neutrófilos e macrófagos, indicando que a dor pélvica crônica pode estar relacionada a ativação do sistema imune inato e inflamatório. Dessa forma, esse processo favorece um ciclo contínuo de inflamação, estresse oxidativo e dor. 4–6
Tratamento da endometriose
Atualmente, o tratamento convencional da endometriose tem como principal objetivo reduzir os sintomas e controlar a progressão da doença. As abordagens terapêuticas variam conforme a intensidade dos sintomas, a idade da paciente, o desejo de engravidar e a gravidade do quadro. Entre as principais opções de tratamento medicamentoso destacam-se os anticoncepcionais hormonais, que suprimem a ovulação e inibem o crescimento das lesões, além de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para o alívio da dor. Ainda, os análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) podem auxiliar a frear a progressão da doença através da indução de um estado temporário semelhante à menopausa, em que a produção de hormônios como estrogênio e progesterona é inibida para prevenir a ovulação, a menstruação e o crescimento das lesões provenientes da endometriose.
O tratamento cirúrgico pode ser indicado em casos mais severos para remoção dos focos da doença. Geralmente, a laparoscopia é o principal método de escolha, por ser minimamente invasiva e eficaz na ressecção das lesões, além de permitir a preservação da fertilidade. No entanto, em situações mais severas, especialmente quando a paciente não deseja mais engravidar, a histerectomia pode ser recomendada. 4,7
Terapias complementares
Considerando que até 59% das pacientes não alcançam alívio completo da dor apenas com as terapias convencionais e que esses tratamentos possuem uma série de efeitos adversos – como náuseas, cefaleia, alterações de humor, aumento do risco de trombose, perda de massa óssea e irritação gástrica –, é comum a busca por abordagens complementares que auxiliem a atenuar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes. Terapias como acupuntura e o uso de suplementos têm sido cada vez mais exploradas como formas de reduzir a dor, controlar a inflamação e promover o bem-estar. Embora essas estratégias não substituam as abordagens tradicionais, elas podem atuar em sinergia, proporcionando um cuidado mais abrangente e personalizado. 2,8,9
Vitamina D
Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo incluindo 50 pacientes com endometriose demonstrou que a suplementação com vitamina D promoveu um alívio significativo da dor, além de promover melhora do perfil lipídico e redução dos níveis de inflamação e estresse oxidativo, demonstrados a partir dos testes de proteína C reativa (PCR) e capacidade antioxidante total (CAT). Corroborando esses dados, um estudo (n = 34) demonstrou que a vitamina D parece atuar na supressão da via de sinalização Wnt/β-catenina, que está relacionada a migração celular e a progressão da doença em pacientes com endometriose. 10,11
Antioxidantes
O uso de antioxidantes também vem sendo considerado em inúmeras pesquisas, especialmente devido à inflamação crônica característica da endometriose, que estimula o aumento da produção de espécies reativas de oxigênio (EROs). Essas EROs desempenham um papel crucial no desenvolvimento, persistência e progressão da doença. Nesse contexto, a suplementação com resveratrol reduziu os níveis endometriais do Fator de Crescimento do Endotélio Vascular (VEGF) e Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-α) em pacientes com endometriose, indicando que esse ativo pode apresentar um papel relevante na inibição da angiogênese, da proliferação e da progressão das lesões. Além disso, um segundo estudo indicou que o resveratrol pode modificar o processo inflamatório associado à endometriose, reduzindo os níveis das metaloproteinases de matriz 2 e 9, enzimas responsáveis pela invasão e sobrevivência das células endometriais fora do útero. 12–14
As vitaminas C (ácido ascórbico) e E (tocoferol) são amplamente conhecidas por suas propriedades antioxidantes. Nesse contexto, uma revisão sistemática e metanálise envolvendo cinco estudos clínicos randomizados demonstrou que a associação desses ativos promoveu redução da dor pélvica crônica associada à endometriose, da dismenorreia e dispaurenia, quando comparada com o placebo. 15
Melatonina
A melatonina é um hormônio sintetizado à noite, majoritariamente a partir da glândula pineal. É essencial para a regulação do ciclo circadiano e do sono, além de possuir efeitos analgésicos, imunomoduladores, antioxidantes e antiproliferativos. Devido a essas propriedades, a melatonina tem sido investigada como uma terapia complementar para a endometriose. 16
Ensaios clínicos demonstram que a suplementação com melatonina pode reduzir a dor pélvica e as cólicas menstruais, contribuindo para a melhora da qualidade do sono e diminuindo em até 80% a necessidade de analgésicos em pacientes com a doença, quando comparado ao placebo. 17,18
Além da melatonina convencional, atualmente existem alternativas como Melotime™, uma melatonina de liberação gradual e prolongada. Essa tecnologia permite a liberação de metade da dose na primeira hora, enquanto o restante é dispensado em pequenas frações ao longo da noite, garantindo um efeito contínuo por cerca de 8 horas. Esse mecanismo reproduz os padrões fisiológicos de liberação da melatonina, proporcionando uma experiência mais próxima ao que ocorre naturalmente no organismo. 19

As terapias complementares agem com os tratamentos convencionais, oferecendo uma série de benefícios às pacientes.
Você já conhecia o papel das terapias complementares no tratamento da endometriose? Elas podem ser grandes aliadas no alívio dos sintomas e no bem-estar. Caso queira saber mais sobre saúde feminina e diversos outros temas, continue acompanhando nossos conteúdos!

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