O papel do exercício físico na doença de Parkinson
Publicado em 22 abril de 2025.

O mês de abril é marcado pelo Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa crônica e progressiva que compromete o sistema nervoso central (SNC), especialmente as regiões envolvidas no controle motor. Até o momento, não existem tratamentos farmacológicos capazes de prevenir o desenvolvimento dessa doença, ou mesmo interromper a sua progressão. Contudo, diversos estudos apontam os exercícios físicos como uma alternativa promissora que apresenta uma série de benefícios. Mas como essas atividades podem ser incorporadas ao tratamento e quais são os seus reais impactos na vida dos pacientes com Parkinson? Descubra a seguir!
Etiologia e tratamentos da Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson (DP) é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo, afetando aproximadamente 11 milhões de pessoas. Sua origem está associada à degeneração de células na substância negra do cérebro, responsáveis pela produção de dopamina — um neurotransmissor fundamental para a transmissão de sinais no sistema motor, envolvido em ações como andar, escrever e falar. A redução dos níveis dopaminérgicos interfere diretamente nessas funções, resultando no aparecimento dos sintomas característicos da DP, como tremores, lentidão motora (bradicinesia), rigidez muscular, desequilíbrio e alterações na fala e na escrita. 1,2
Essa condição é mais comum em pessoas acima de 65 anos de idade, e até duas vezes mais frequente em indivíduos do sexo masculino. Acredita-se que essa diferença de prevalência está relacionada à maior exposição dos homens a fatores ambientais, como solventes, pesticidas e trauma craniano, além do papel neuroprotetor do estrogênio, hormônio predominante nas mulheres. Contudo, as causas exatas do Parkinson ainda não são completamente compreendidas. Estudos indicam que se trata de um processo multifatorial, envolvendo uma combinação de fatores genéticos, ambientais e do envelhecimento cerebral ao longo dos anos. 3,4
Atualmente, o tratamento da DP tem o controle dos sintomas como principal objetivo, incluindo, em geral, o fármaco levodopa em associação com um inibidor periférico de descarboxilase, como a carbidopa ou a benserazida.
A incorporação de fármacos neuroprotetores ao esquema terapêutico também tem sido considerada para a prevenção da progressão da doença, todavia, até o momento nenhum medicamento foi aprovado para essa finalidade. 5,6
Além do tratamento farmacológico, existem terapias complementares que visam reduzir o impacto dos sintomas na vida dos pacientes, como a prática de exercícios físicos ou o uso de suplementos alimentares. Caso você queira saber sobre a aplicação de suplementos na DP, confira aqui.
Exercícios físicos na DP
Um número crescente de estudos sugere que a prática regular de exercícios físicos pode ser uma estratégia promissora para melhorar a qualidade de vida de pacientes com Parkinson. Nesse sentido, essas práticas parecem atuar não somente como uma medida protetora contra o desenvolvimento da condição, como também como uma terapia complementar capaz de influenciar o curso da doença e aliviar seus sintomas.7

O exercício físico pode atuar tanto não somente como uma medida de proteção contra o desenvolvimento da DP (intervenção primária), como também como uma terapia complementar capaz de influenciar o curso da doença (intervenção secundária) e aliviar seus sintomas (intervenção terciária). Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.
Quanto ao papel protetor do exercício físico, um estudo prospectivo abrangendo 89.400 indivíduos, com idades entre 37 e 73 anos, demonstrou a redução do risco de desenvolvimento da DP com a prática atividades de intensidade moderada a intensa, durante pelo menos 150 minutos por semana. Além disso, essa pesquisa revelou que não houve diferença na redução do risco entre pessoas que distribuíam suas práticas ao longo da semana, ou as concentravam em poucos dias – como aos finais de semana –, indicando que ambas as estratégias são igualmente eficazes. Reforçando esses achados, uma revisão sistemática com meta-análise de 42 estudos demonstrou que a prática de exercícios físicos é uma estratégia eficaz de prevenção contra a DP em ambos os sexos, confirmando a existência de uma relação inversa entre o nível de atividade física e o risco de desenvolvimento da doença. 8,9
Além de seu papel preventivo, o exercício físico pode atuar como uma intervenção secundária, influenciando positivamente a progressão da doença por meio da preservação da qualidade de vida e das funções motoras e cognitivas. Nesse contexto, um estudo observacional realizado em parceria com a Parkinson’s Foundation, que analisou 3.408 pacientes, revelou que aqueles que praticavam exercícios regularmente ao longo da vida — ou que iniciaram logo após o diagnóstico — apresentavam melhor mobilidade e qualidade de vida em comparação aos pacientes sedentários. Assim, a prática de pelo menos 2,5 horas de exercícios por semana foi associada à preservação desses parâmetros por períodos mais extensos. Complementando esses achados, outro estudo que acompanhou 237 pacientes com Parkinson em estágios iniciais, ao longo de cinco anos, demonstrou que a prática de exercícios está fortemente relacionada a um melhor desempenho nas atividades do dia a dia, maior velocidade de processamento cognitivo, além de melhorias na estabilidade postural, equilíbrio e marcha. 10,11
É importante destacar que a prática de exercícios físicos é segura para pacientes com DP, conforme demonstrado em diversos estudos sobre o tema. Além disso, uma revisão sistemática abrangendo 154 ensaios clínicos randomizados encontrou pouca evidência de diferenças entre os diferentes tipos de atividades. Diversas modalidades — como dança, exercícios aquáticos, treinamento de força, resistência e exercícios aeróbicos — mostraram benefícios consistentes, promovendo melhora da qualidade de vida e redução dos sintomas motores. 7,12
Mas como os exercícios físicos atuam na DP?
Os mecanismos exatos pelos quais os exercícios favorecem a prevenção, o alívio dos sintomas e a redução da velocidade de progressão do Parkinson ainda não foram completamente elucidados. Contudo, estudos in vivo indicam que esses benefícios podem estar relacionados à neuroproteção a partir da supressão de vias de inflamação e apoptose neuronal, combinada ao aumento da expressão de fatores neurotróficos e da sinalização dopaminérgica na substância negra cerebral.
Nesse sentido, estudos em modelos animais indicam que os exercícios estimulam a neuroproteção a partir de fatores neurotróficos, como BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) e GDNF (fator neurotrófico derivado de linha de células da glia), além de melhorar a atividade sináptica dopaminérgica a partir do aumento da expressão das proteínas TH (tirosina hidroxilase) e DAT (transportador de dopamina), dos níveis de dopamina e da expressão de proteínas sinápticas, como sinaptofisina e PSD-95. 13
Corroborando os estudos in vivo, pesquisas clínicas indicam que pacientes com DP possuem níveis séricos reduzidos de BDNF. Nesse sentido, uma revisão sistemática de estudos clínicos demonstrou que a prática de exercícios físicos — especialmente os de intensidade moderada a elevada — pode aumentar os níveis dessa neurotrofina em pacientes com a doença. Esses achados sugerem que o BDNF pode estar envolvido nos efeitos benéficos do exercício, considerando o seu papel neuroprotetor. 14,15

Pacientes com Doença de Parkinson apresentam níveis reduzidos de BDNF. A prática de exercícios físicos é capaz de aumentar os níveis dessa neurotrofina. Imagem adaptada de Shutterstock.com, 2025
Neumentix™: como esse ativo pode auxiliar para a neuroproteção?
Além dos exercícios físicos, alguns ativos também podem auxiliar para o aumento dos níveis de moléculas como BDNF e sinaptofisina. Neumentix™ é um nootrópico 100% natural, obtido a partir de linhagens patenteadas de Mentha spicata L., e constituído por mais de cinquenta polifenóis, incluindo os ácidos rosmarínico, salvianólico e litospérmico. Padronizado em mais de 24% de polifenóis totais, e pelo menos 14,5% de ácido rosmarínico, Neumentix™ favorece a plasticidade sináptica, a proliferação e a sobrevivência de células neuronais ao promover o aumento da expressão de BDNF, sinaptofisina, PI3K e Akt. Além disso, esse ativo reduz a síntese e a liberação de mediadores pró-inflamatórios – como NO, iNOS, MPO, TNF-α, interleucina- 1β e COX-2 – além de aumentar a atividade de enzimas antioxidantes como a superóxido dismutase (SOD), reduzindo o estresse oxidativo no SNC e exercendo potente efeito neuroprotetor. 16
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