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Perda muscular no uso de análogos de GLP-1: por que acontece e como prevenir?

Publicado em 14 de agosto de 2025.

O uso de análogos do Peptídeo 1 Semelhante ao Glucagon (GLP-1) tem se consolidado como estratégia eficaz no manejo da obesidade. No entanto, a rápida perda de peso promovida por esses fármacos pode vir acompanhada de redução da massa muscular quando realizada sem os cuidados adequados. Este efeito colateral pode ter implicações clínicas importantes, principalmente em pacientes com predisposição à sarcopenia ou em faixas etárias mais avançadas. Por isso, no blog de hoje, iremos explorar a fundo esse tema, além de abordar possíveis estratégias para preservar a composição corporal saudável durante o uso dos agonistas de GLP-1.

 

Perda de massa muscular

A massa muscular faz parte da chamada massa magra, que é constituída por todos os tecidos corporais não adiposos, como ossos, órgãos, água, pele e ligamentos. É essencial para os movimentos corporais, postura adequada, homeostase e metabolismo, desempenhando um papel crucial na manutenção da saúde, da longevidade e prevenção de diversas condições – incluindo diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares e osteoporose.

A perda de massa e força muscular pode ser definida como sarcopenia primária – quando associada ao envelhecimento e sem outras causas aparentes – ou sarcopenia secundária – quando relacionada à inatividade física, nutrição inadequada, contextos patológicos ou uso de determinados medicamentos, como os agonistas do GLP-1.

Independentemente da causa, a sarcopenia está associada não somente à redução da qualidade de vida e ao desenvolvimento de doenças, como também ao aumento da mortalidade em geral. Nesse cenário, compreender os fatores que contribuem para a perda muscular e os mecanismos envolvidos é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado. 1,2

 

Emagrecimento e agonistas do GLP-1

A combinação entre restrição calórica e aumento da atividade física continua sendo a base das estratégias convencionais para perda de peso, trazendo uma série de benefícios importantes para a saúde metabólica. Paralelamente, novas terapias farmacológicas, como os agonistas do GLP-1, têm ganhado destaque como aliadas no processo de emagrecimento, especialmente em contextos que demandam maior efetividade clínica, como na obesidade ou em casos de sobrepeso associado a outras comorbidades.

Os agonistas do GLP-1 se destacam por mimetizarem a ação do GLP-1 endógeno, ativando o receptor GLP-1R e promovendo uma série de efeitos fisiológicos, como o aumento da secreção de insulina estimulada pela glicose, a inibição da liberação de glucagon, o retardo no esvaziamento gástrico e a redução da ingestão alimentar a partir da supressão central do apetite.

Mecanismo de ação dos agonistas do GLP-1 no emagrecimento.

 

Durante qualquer processo de emagrecimento, é comum que uma porcentagem da perda total de peso inclua a massa magra. Entretanto, uma vez que os análogos do GLP-1 costumam resultar em reduções significativas de peso em curtos períodos, é comum que a redução de massa magra também seja maior – podendo representar até 40% do peso total perdido. Isso se deve, em grande parte, à queda abrupta na ingestão calórica, que leva o organismo a recorrer não apenas às reservas de gordura, mas também ao tecido muscular como fonte de energia. Em situações de déficit energético, especialmente quando não há aporte proteico adequado, o corpo intensifica a quebra de proteínas musculares para suprir demandas metabólicas essenciais, contribuindo para o catabolismo da massa magra.

Nesse sentido, sem o suporte nutricional e físico adequado, essa diminuição da massa muscular pode representar um fator de risco para o desenvolvimento de sarcopenia secundária, especialmente em populações mais vulneráveis — nas quais a perda muscular tende a ser naturalmente acentuada — como mulheres na menopausa, homens na andropausa, idosos ou pacientes com condições crônicas como cirrose, doença renal crônica ou doença inflamatória intestinal (DII). 3–5

 

Como preservar a massa muscular durante o uso de agonistas de GLP-1?

A ingestão adequada de proteínas de alta qualidade deve ser uma prioridade durante o uso dos análogos de GLP-1, uma vez que são responsáveis por fornecer aminoácidos essenciais para a manutenção e síntese da massa muscular.

Em situações em que a ingestão alimentar está comprometida, especialmente devido à redução do apetite, o uso de suplementos proteicos, como shakes ou smoothies, pode ser uma alternativa eficaz. Além de fornecerem boa densidade proteica, essas opções líquidas costumam ser mais palatáveis e de digestão mais fácil do que suas versões sólidas.

A prática regular de atividade física também é indispensável, uma vez que contribui diretamente para a preservação da massa magra durante o processo de emagrecimento, e idealmente deve incluir uma combinação de exercícios aeróbicos e treinos de força. De acordo com as diretrizes atuais, recomenda-se a realização de 150 a 300 minutos semanais de atividade física em intensidade moderada, ou 75 a 150 minutos em intensidade vigorosa. Esse plano deve incluir, no mínimo, dois treinos de força por semana, envolvendo os principais grupos musculares. 4

Nesse sentido, a adoção de estratégias personalizadas, com acompanhamento nutricional e físico especializado, é essencial para ajustar a ingestão calórica, o aporte proteico e o plano de exercícios de acordo com as necessidades e limitações de cada indivíduo.

 Algumas estratégias podem ser aliadas eficazes para a preservação da massa muscular durante o uso dos agonistas de GLP-1. Imagem adaptada de shutterstock.com, 2025.

 

E como a suplementação pode ajudar?

A suplementação estratégica pode ser uma aliada eficaz para reduzir a perda de massa e função muscular. Embora a maior parte dos estudos não tenha ênfase específica na sarcopenia relacionada aos agonistas do GLP-1, diversos ativos têm sido amplamente investigados em outras formas de sarcopenia primária e secundária, demonstrando resultados promissores.

Segundo as diretrizes clínicas publicadas por quatro organizações de destaque na área da saúde – o American College of Lifestyle Medicine (ACLM), a American Society for Nutrition (ASN), a Obesity Medicine Association (OMA) e a The Obesity Society (TOS) – o uso dos análogos de GLP-1 para o tratamento da obesidade pode levar a uma ingestão insuficiente de vitaminas e minerais essenciais, como ferro, cálcio, magnésio, zinco e as vitaminas A, D, E, K, B1, B12 e C, podendo impactar diretamente na saúde muscular. Isso ressalta a importância da suplementação personalizada para a prevenção da deficiência de micronutrientes. 4,6

Além disso, estudos indicam que o consumo de aminoácidos aliado a treinos de resistência pode potencializar a preservação da massa e da função muscular. Dessa forma, o uso de suplementos de aminoácidos essenciais ou de cadeia ramificada (BCAA) – ou seja, leucina, valina e isoleucina – pode ser uma estratégia complementar no manejo dos efeitos catabólicos da terapia com os análogos de GLP-1. 7

Em resumo, diante da perda acelerada de peso promovida pelos agonistas de GLP-1, estratégias que combinem alimentação adequada, suplementação direcionada e exercício físico – sobretudo o treinamento de força – tornam-se fundamentais para preservar a massa e função muscular. Essas intervenções, quando incorporadas ao acompanhamento clínico adequado, auxiliam não somente a garantir o sucesso no emagrecimento, mas também a saúde e o bem-estar a longo prazo.

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