Qual o impacto do ciclo circadiano nas doenças alérgicas?
Publicado em 24 de setembro de 2025.
O ciclo circadiano – conhecido como nosso “relógio biológico” – coordena uma série de processos ao longo das 24 horas do dia, muito além da regulação sono-vigília. Ele modula funções essenciais como a secreção hormonal, o sistema imune e a permeabilidade da barreira epitelial. Por isso, alterações nesse ciclo podem influenciar diretamente a manifestação clínica de doenças alérgicas, como rinite, asma e dermatite atópica, que frequentemente apresentam piora noturna ou matinal. Mas afinal, por que isso ocorre? E como evitar esses efeitos? Continue lendo para descobrir.
Zeitgebers e os relógios moleculares
O ciclo circadiano é regulado por uma região do hipotálamo chamada núcleo supraquiasmático (NSQ), que responde a estímulos externos conhecidos como zeitgebers. Esse termo de origem alemã, que significa “doador de tempo”, refere-se a fatores capazes de sincronizar ou ajustar nosso relógio biológico interno ao ambiente. Nos seres humanos, o principal zeitgeber é a luz – especialmente a luz azul –, que atua como sinal predominante para alinhar o ritmo biológico às 24 horas do dia.
Em mamíferos, o ciclo circadiano é regulado por “relógios moleculares” presentes em praticamente todas as células do corpo, e que são capazes de controlar, de forma autônoma, a ativação e a inativação de genes em ciclos de aproximadamente 24 horas. Esse mecanismo é sustentado principalmente por dois fatores de transcrição – BMAL1 (brain and muscle ARNT-like 1) e CLOCK (circadian locomotor output cycles kaput) – que regulam a expressão de diversos genes essenciais para a manutenção do ritmo biológico. Além disso, esse sistema também está intimamente ligado à secreção rítmica de hormônios como cortisol, melatonina, histamina, adrenalina e noradrenalina.
Dessa forma, alterações no ciclo circadiano afetam não somente o sono e o metabolismo, como também modulam a função imunológica e a inflamação, influenciando diretamente a manifestação e a gravidade de doenças alérgicas.1,2
Sistema imune, secreção hormonal e a função de barreira epitelial
Durante o dia, níveis mais elevados de cortisol e catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) ajudam a manter a inflamação sob controle, reduzindo a liberação de mediadores pró-inflamatórios. À noite, em contrapartida, há queda desses hormônios, com estímulo da secreção de melatonina, aumento da liberação de citocinas pró-inflamatórias – como IL-2, IL-12 e TNF-α – e da atividade de mastócitos, que liberam histamina em maior quantidade. Assim, enquanto a atividade inflamatória permanece atenuada durante o dia para não prejudicar as funções ativas do organismo, ela se torna mais pronunciada à noite, quando o corpo direciona seus recursos para processos de regeneração e reparo. 2–5
Além disso, o ciclo circadiano também está relacionado à função do epitélio, que atua como proteção contra patógenos, agentes químicos e alérgenos. Na epiderme, por exemplo, observam-se algumas alterações durante a noite, como a elevação da permeabilidade cutânea, o aumento da perda transepidérmica de água (TEWL), a redução na secreção de sebo, e mudanças no fluxo sanguíneo. Esses ritmos estão ligados à proliferação dos queratinócitos e ao reparo do DNA, preparando a pele para lidar com os estressores ambientais durante o período de vigília.
De maneira semelhante, o epitélio das vias aéreas também apresenta aumento de permeabilidade durante a noite, permitindo que essa mucosa se regenere. Contudo, como essas modificações comprometem temporariamente a função de barreira, esses tecidos se tornam mais susceptíveis à penetração de agentes irritantes e alérgenos, o que pode contribuir para o agravamento de quadros alérgicos que frequentemente são observados durante a noite.6–8
O ciclo circadiano está intimamente ligado a regulação de diferentes processos como a secreção hormonal, a resposta inflamatória e a função de barreira epitelial.
Disrupção do ciclo circadiano: consequências nos processos alérgicos
Como vimos, o ciclo circadiano também está envolvido na regulação hormonal, imunológica e do epitélio. Assim, alterações nesse ciclo, podem influenciar o surgimento ou a intensidade de sintomas alérgicos característicos de diferentes condições, como prurido, congestão nasal, chiado no peito e urticária.
Na dermatite atópica, por exemplo, o prurido noturno é uma característica típica da doença, e pode ser associado aos ritmos circadianos relacionados à temperatura da pele, aumento da permeabilidade cutânea, e à TEWL. Já em pacientes com rinite alérgica e asma, os sintomas – como espirros, congestão e falta de ar –, a reatividade nasal ou brônquica e a atividade inflamatória podem ser mais pronunciadas à noite, durante o sono e no início da manhã.1
Portanto, a desregulação dos ritmos biológicos naturais pode estar relacionada ao desenvolvimento ou piora de quadros alérgicos, e está associada principalmente ao estilo de vida moderno, no qual os hábitos de sono, trabalho e alimentação frequentemente se encontram fora de sincronia com a ritmicidade endógena.9
Nesse sentido, uma revisão sistemática com meta-análise de 12 estudos observacionais em humanos demonstrou que a exposição noturna à luz artificial – um dos maiores disruptores do ciclo circadiano – está associada a uma maior prevalência de doenças alérgicas tanto em adultos, quanto em populações mais jovens, reforçando a influência da organização temporal do organismo sobre esses processos.10
Neste contexto, além de alterações no estilo de vida – como a redução da exposição a luz azul à noite –, intervenções que restaurem o ritmo circadiano normal podem ser benéficas para pacientes com condições alérgicas, contribuindo para a regulação hormonal e imunológica.
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