O que é disbiose intestinal?
Publicado em 13 maio de 2025.

A microbiota intestinal é composta por microrganismos que colonizam o trato gastrointestinal e desempenham funções fundamentais na manutenção da homeostase sistêmica. O desequilíbrio em sua composição ou função, conhecido como disbiose, pode resultar em diversos sinais e sintomas que afetam não apenas o sistema digestivo, mas também o cérebro, a imunidade e o bem-estar geral. Por isso, no blog de hoje, iremos abordar os principais mecanismos fisiopatológicos relacionados à disbiose, suas manifestações clínicas e algumas estratégias de intervenção, destacando a microbiota como um elemento essencial para a saúde.
Microbiota intestinal
Como mencionamos, a microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos — principalmente bactérias, mas também vírus, fungos e arqueas — que habita o intestino humano. Atualmente, a hipótese mais aceita é a de que seu estabelecimento tem início no momento do parto, quando o bebê entra em contato com a microbiota vaginal e/ou cutânea da mãe. No entanto, alguns estudos sugerem que esse processo de colonização pode começar ainda durante a gestação, com base em achados que indicam a presença de microrganismos em locais como a placenta, líquido amniótico, membranas fetais e cordão umbilical.
As mudanças mais significativas na microbiota ocorrem durantes os três primeiros anos de vida, período em que fatores como o tipo de parto, o aleitamento materno e a introdução alimentar desempenham um papel crucial no estabelecimento de sua composição e diversidade. Nesse sentido, por volta dos três anos de idade, a microbiota de uma criança já se assemelha a de um adulto, com predominância dos filos Firmicutes e Bacteroidetes, e tende a se manter estável durante a vida adulta, desde que em condições fisiológicas. 1,2
O papel da microbiota no metabolismo e na saúde
A microbiota convive em equilíbrio com o organismo e participa ativamente da homeostase corporal por meio de mecanismos complexos e interligados. Dessa forma, ela atua em processos como digestão de alimentos, produção de vitaminas, modulação do sistema imunológico, regulação do metabolismo e até mesmo prevenção de doenças a partir da competição e exclusão de patógenos.
Nesse sentido, os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) — principalmente acetato, propionato e butirato — são os principais metabólitos produzidos pela fermentação bacteriana de fibras e outros polissacarídeos não digeríveis. Além de sua função amplamente conhecida como fonte de energia, os AGCC exercem outros importantes efeitos locais – como a manutenção da integridade da barreira intestinal e regulação da resposta imune no intestino –, e sistêmicos em vários órgãos e tecidos do corpo.
Dessa forma, essas moléculas agem como mediadores essenciais na comunicação entre intestino e cérebro, interferindo em diversos processos comportamentais e neurológicos por meio da modulação do sistema imunológico, do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), do metabolismo do triptofano, e da síntese de neurotransmissores.
Além disso, os AGCC exercem influência sobre o sistema endócrino ao estimular a secreção dos hormônios GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e PYY (peptídeo YY), modulando o apetite, a saciedade e a sensibilidade à insulina. No sistema cardiovascular, podem atuar na regulação da frequência cardíaca e da pressão arterial. Já na musculatura esquelética, contribuem para a melhora da sensibilidade à insulina, redução do estresse oxidativo e otimização do metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas, favorecendo a função muscular.
Por fim, no fígado, os AGCC podem ser utilizados como substratos para a produção de energia, além de inibirem a lipogênese hepática e estimularem a beta-oxidação, o que contribui para o aumento do gasto energético e oferece proteção contra a esteatose hepática e a obesidade. 3–5
Além disso, é essencial mencionar também que o sistema imunológico e a microbiota apresentam uma relação simbiótica, na qual os microrganismos comensais desempenham um papel fundamental na modulação da resposta imune. Dessa forma, a microbiota contribui para o desenvolvimento da tolerância imunológica, auxiliando a evitar reações excessivas a antígenos inofensivos. Ainda, estimula a produção de anticorpos do tipo IgA, fortalece a barreira intestinal e participa da síntese de metabólitos com propriedades imunomoduladoras – como os AGCC. Em contrapartida, o sistema imunológico atua na regulação da composição microbiana, controlando o crescimento excessivo de espécies potencialmente patogênicas e favorecendo a manutenção do equilíbrio intestinal. 6

Os AGCC são um dos principais metabólitos produzidos pela microbiota, e possuem uma série de ações à nível local e sistêmico. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.
Causas e mecanismos da disbiose
Alguns fatores podem causar alterações no balanço da composição, função ou distribuição da microbiota, dando origem ao que chamamos de disbiose. As principais causas desse desequilíbrio incluem mudanças nos hábitos alimentares, estresse psicológico, localização geográfica, uso indiscriminado de antibióticos e exposição a pesticidas. 7
A disbiose é um processo altamente heterogêneo que pode ser, de maneira geral, classificado em três categorias: (1) diminuição de microrganismos benéficos, (2) proliferação excessiva de patógenos e (3) redução da diversidade total da microbiota. Atualmente, sabe-se que esses tipos não são mutuamente exclusivos e, frequentemente, ocorrem de forma simultânea, favorecendo o desenvolvimento de processos inflamatórios locais e sistêmicos.
Esses processos podem ocorrer por meio de alguns mecanismos que são desencadeados pela disbiose, como a diminuição de bactérias produtoras de metabólitos importantes e aumento de microrganismos produtores de toxinas. Essa combinação, além de gerar inflamação local, pode comprometer a função de barreira do intestino, permitindo a translocação de toxinas e patógenos para a corrente sanguínea e contribuindo para a inflamação sistêmica.
Nesse sentido, a disbiose tem sido relacionada a uma série de sintomas como dores abdominais, sensação de inchaço, náusea, vômitos e mudanças nos hábitos intestinais. Além disso, pode também favorecer o desenvolvimento de uma ampla gama de doenças, tanto locais — como a síndrome do intestino irritável (SII), colite ulcerativa e doença de Crohn — quanto sistêmicas, incluindo obesidade, doença de Alzheimer, artrite reumatoide, hipertensão, asma, condições psiquiátricas, entre outras. 8–10
Tratamento
O tratamento da disbiose intestinal tem como objetivo restaurar o equilíbrio da microbiota, reduzir a inflamação e melhorar a função da barreira intestinal. Esse processo pode envolver não somente uma dieta adequada, como também o uso de probióticos, prebióticos, paraprobióticos ou simbióticos.
O conceito de probióticos surgiu no início do século XX com o trabalho do cientista russo Élie Metchnikoff, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 1908. Metchnikoff observou um aumento da longevidade em camponeses búlgaros que consumiam regularmente iogurte fermentado por bactérias lácticas (como Lactobacillus). Com base nessas observações, ele propôs que certos microrganismos poderiam exercer efeitos benéficos sobre a saúde humana — ideia que seria posteriormente confirmada por estudos científicos e formalizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que define probióticos como “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro.” 11,12
Já o conceito de prebióticos só surgiu mais tarde, em 1995, por meio das pesquisas de Glenn Gibson e Marcel Roberfroid, que definiram as fibras alimentares — como a inulina e os fruto-oligossacarídeos (FOS) — como ingredientes alimentares não digeríveis que auxiliam para a manutenção de bactérias benéficas. Posteriormente, com o avanço do conhecimento sobre a interação entre microrganismos e o hospedeiro, surgiu o conceito de simbióticos — uma combinação de probióticos e prebióticos que promovem benefícios à saúde por meio da modulação sinérgica da microbiota intestinal. 13,14
Mais recentemente, em 2011, o conceito de paraprobióticos foi introduzido por Taverniti e Guglielmetti, que propuseram uma nova categoria de microrganismos benéficos em sua forma inativada. Dessa forma, essas abordagens expandem o potencial terapêutico da regulação da microbiota, especialmente em populações vulneráveis ou em condições nas quais o uso de microrganismos vivos pode ser contraindicado. 15

A disbiose pode se estabelecer a partir de múltiplas causas e mecanismos, que frequentemente podem estar presentes em associação. Os tratamentos incluem o uso de probióticos, prebióticos, simbióticos e paraprobióticos. Imagem adaptada de www.shutterstock.com, 2025.
ImmuneCal: paraprobióticos para viver melhor
A linha de paraprobióticos ImmuneCal é composta por quatro cepas do gênero Lactobacillus obtidas por um processo de inativação térmica. Esse tratamento com calor úmido preserva a integridade da membrana celular dos microrganismos, permitindo que os insumos de ImmuneCal atuem por exclusão competitiva, inibindo a colonização e proliferação de patógenos. Além disso, esses paraprobióticos também favorecem o crescimento da microbiota saudável, melhoram a imunidade e reduzem a inflamação. Com isso, auxiliam não somente para o tratamento de transtornos funcionais do intestino, como também de condições sistêmicas, como síndrome metabólica, dermatite atópica e infecções urinárias. 16
Active Kefir: os benefícios do kefir em qualquer lugar
Active Kefir é um ativo que concentra 7 cepas probióticas do kefir na forma de pó, oferecendo os benefícios dessa bebida de forma muito mais prática e segura. Ainda, graças à tecnologia patenteada de revestimento SYNTEK™ MatriCoat, os microrganismos aderem melhor ao trato gastrointestinal, maximizando sua eficácia clínica.
Dessa forma, Active Kefir possui efeito probiótico, inibindo a colonização por patógenos, auxiliando na proteção contra infecções e fortalecendo a função de barreira do intestino. Além disso, esses probióticos contribuem para a síntese de metabólitos bioativos, como os AGCC e neurotransmissores.
Você já conhecia o papel da microbiota no intestino, e como esses microrganismos são fundamentais para a nossa saúde? Continue acompanhando a nossa página para ler mais sobre saúde e bem-estar!

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